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Nova realidade, novas necessidades na definição dos projetos arquitetônicos

A pandemia de Covid-19 alterou os hábitos da população. Com o isolamento social, a permanência em casa aumentou significativamente. Para muitos, antes a casa era só o dormitório. Agora, as moradias precisaram ser reinventadas. Passaram a ser home office, sala de aula, academia. As mudanças no modo de vida e a aproximação do morador com seu lar ressignificou todo contexto. A arquitetura acompanha as novas tendências, criando ambientes confortáveis, funcionais e personalizados.

Foto: divulgação Leonardo Rhiaff
Foto: divulgação Leonardo Rhiaff

Para Leandro Rhiaff, arquiteto com mais de 80 projetos concluído e destaque entre a classe A+ carioca, o impacto da pandemia na arquitetura foi uma via de mão dupla. “Tanto na adaptação dos espaços residenciais para que o home office fosse possível quanto na transformação de salas comerciais e escritórios que começaram a ficar ociosos pela cidade”, ressalta. 

Foto: divulgação Leonardo Rhiaff
Foto: divulgação Leonardo Rhiaff

Rhiaff destaca que a arquitetura sempre respondeu às questões sócioculturais e se adaptou a novos tempos. “No início do século XX, por exemplo, os apartamentos mediam mais de 150m². No século XXI, passamos a ver apartamentos de 50m², com ambientes otimizados para obedecer à demanda e a necessidade dos usuários: um local para dormir”, conta o arquiteto, que diz que a tendência é que haja uma nova mudança. “A pandemia pede que tenhamos residências mais confortáveis novamente. É o futuro da arquitetura”, completa. 

Foto: divulgação Studio Tan-Gram
Foto: divulgação Studio Tan-Gram

A nova realidade imposta pelo momento gerou a necessidade de personificação do lar e detalhes na estrutura ou na decoração que antes passava despercebido tornaram-se gritantes e exigiram mudança. Mesmo com a vacinação avançando e a esperança voltarmos a sair de nossas casas cada vez mais, vemos que todo esse período trouxe mudanças e novas necessidades permanentes para o lar”, explica a arquiteta Claudia Yamada, sócia de Monike Lafuente no Studio Tan-gram. 

Foto: divulgação Studio Tan-Gram
Foto: divulgação Studio Tan-Gram

As arquitetas apontam algumas demandas que provavelmente ficaram mesmo após o fim da pandemia. A questão de higienização, como o hábito adquirindo de não entrar com os sapatos dentro de casa. “A preocupação com as questões sanitárias foi uma das lições que a pandemia nos ensinou e que já naturalizamos em nossos hábitos. Por isso, pensar nessas áreas de transição do dentro e fora das residências passará a ser cada vez mais comum nos projetos de decoração de interiores”, ressalta a arquiteta Monike do Studio Tan-gram.

Ambientes multifuncionais e projetos mais voltados para a atividade familiar também são uma tendência. “Acreditamos que o lar deve ser projetado de acordo com as atividades da família. Há quem goste, por exemplo, de trabalhar da varanda para ter uma vista mais bonita e um contato com o mundo exterior, mas pede para que haja uma persiana para controlar a entrada do sol”, relata Claudia.

Espaços próprios para o trabalho em casa também são colocados em pauta no momento da especificação do projeto. “Os clientes têm se preocupado muito com a questão acústica e visual do espaço. É recorrente o pedido para trabalharmos um background interessante para as videochamadas, bem como mais privacidade para ajudar na concentração”, sinaliza Claudia.

De acordo com Rhiaff, que um ambiente de trabalho confortável em casa pode ser muito motivacional. “As pessoas se sentem produtivas e importantes quando têm uma rotina de trabalho que demanda atenção. A maioria das pessoas busca em um projeto um espaço pensado especialmente para elas, que as faça sentir bem, com a clara definição de um ambiente de trabalho”, afirma.

Rhiaff ressalta a questão de da otimização de tudo em um mesmo espaço ou um espaço só para o trabalho. De acordo com ele, a maior dificuldade do Home Office consiste justamente em encontrar um ambiente silencioso e reservado sem atrapalhar a dinâmica familiar, mas garante que separar um espaço só  para essa função é essencial, e que o melhor ambiente é longe da sala de estar ou ambiente social. “Suítes costumam atender bem a esse propósito. A partir daí é abusar da iluminação certa e das cores perfeitas”, afirma.

Além disso, ergonomia, tecnologia e beleza são indispensáveis segundo o profissional. “É essencial que haja conforto ergonômico em cadeiras, mesas e outros elementos; Além disso, os equipamentos tecnológicos que darão suporte ao trabalho em home office precisam ser calculados. Tomadas nos lugares certos, por exemplo; E beleza para que o dia a dia seja estimulante, agradável e produtivo” diz Rhiaff. 

Foto: Julia Herman
Foto: Julia Herman

A busca por ambientes com mais áreas verdes e uma arquitetura mais sustentável são tendências nos projetos. “As tecnologias atuais nos permitem aproveitar os recursos naturais de forma integral, reutilizar os materiais, empregar materiais recicláveis e aplicar formas de ventilação e iluminação natural”, ressalta a arquiteta Isabella Nalon do escritório Isabella Nalon- Arquitetura e interiores. 

Elementos construtivos não causam impacto ambiental, como: telhado verde, aquecimento solar e geração de energia fotovoltaica, reduzem o consumo de energia elétrica, e a captação de água da chuva que pode ser tratada e direcionada para torneiras específicas, entre outros recursos. 

Foto: Julia Herman
Foto: Julia Herman

Durante e depois do processo de construção do projeto, é relevante o estabelecimento de indicadores que permitirão o monitoramento dos consumos da obra para conferir se as tecnologias estão realmente funcionando. “Não existe fórmula para a arquitetura sustentável. Junto com as decisões trazidas, o mais indicado é ter dados sobre o consumo de água, energia entre outros”, detalha a arquiteta. Tudo isso faz com que proprietário e profissional responsável possam constatar se a aposta está sendo positiva. Em projetos sustentáveis, é preciso também atentar-se à legislação para evitar multas e punições. Nos âmbitos federal, estadual e municipal, um robusto conjunto de leis e normas rege as condutas que, em linhas gerais, trabalham para proteger o meio ambiente e reduzir os impactos. “O simples ato de reaproveitar materiais, descartar o lixo da obra de forma correta e evitar desperdícios já contribui muito”, revela Isabella. Segundo o site ArchDaliy, a monocramia e cores vibrantes são tendências em 2021. A monocramia, esquema mais simples de cor, que se desenvolve utilizando só uma cor com as suas diferentes intensidades de valor e tonalidades. Segundo a arquiteta Maria Carvalho, à frente do escritório que leva o seu nome, ao contrário do que se pode imaginar, a singularidade de uma cor, em combinação de ton sur ton, é capaz de evocar descontração, leveza, quebrar a monotonia e sair da mesmice, transformando cômodos comuns em lugares elegantes e estilosos.                                                                            Sem restrições, a monocromia pode emoldurar a decoração de áreas sociais, banheiros, cozinhas, dormitórios ou até mesmo estabelecimentos comerciais, evidenciando o gosto pessoal e a personalidade de cada um. “Além da questão estética, o décor monocromático pode contribuir para a amplitude. Em um banheiro pequeno, por exemplo, pintar de preto a bancada, paredes e piso trarão uma uniformidade de informação e assim conquistaremos maior profundidade”, ressalta Maria.                       Sobre as cores vibrantes, é possível observar o lançamento das paletas de tintas da Suvinil, que desenvolveu ‘Brasil Em Cores’. São seis paletas que passeiam pelos territórios nacionais: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa. A coleção aborda a potência das cores no resgate da ancestralidade e da história como indivíduos e nação, retratando o essencial de cada região do país e suas riquezas tão particulares. 

A Shewin-Willians apresentou a coleção chamada “Modo”. São tendências de tons que envolvem criatividade, intenção e descoberta. A previsão anual com 40 tons dá as boas-vindas a um novo “Modo” de valorizar cada transição e experimentar uma nova maneira de ser em cores vivas e bonitas e quatro paletas selecionadas: Maneira, Original, Dreamland e Ocasional. Outra tendência destacada pelo ArchDaliy foi o uso de estruturas de aço aparente, tijolos de vidros e jardins internos.

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